Homecoming: A film by Beyoncé
Publicado em 26/04/2021 às 17:40 por Thaynara dos Santos Barbosa

No Grammy de 2021 Beyoncé fez história, tornando-se a artista com o maior número de premiações. Em seu discurso ela disse que enaltece, encoraja e celebra todas as rainhas e reis pretos que inspiram a ela e ao mundo. Beyoncé é uma ativista pelos direitos das pessoas pretas e isso ficou ainda mais claro no seu álbum Lemonade e em seu show no Coachella.

Beyoncé teve dois shows no Coachella e os bastidores por trás das apresentações estão no documentário Homecoming: A film by Beyoncé, na Netflix. Ela foi a primeira mulher negra a ser a atração principal no Coachella, então ela pegou essa oportunidade para não só se apresentar, como também para levar a cultura negra ao festival.

Beyoncé afirma: Eu queria uma orquestra de negros, queria step dance, precisava de backing vocals, queria gente diferente, não queria que fizéssemos a mesma coisa. As coisas que esses jovens fazem com o próprio corpo, a música que eles tocam, o rufar de tambores, os cortes de cabelos e os corpos. Eles têm uma ginga tão grande. É lindo e me deixa orgulhosa. Eu queria que todas as pessoas que foram rejeitadas por causa da aparência se sentissem naquele palco.

É inspirador ver o que ela procura fazer com essa apresentação no Coachella. Mostrar o talento, a personalidade, dar espaço para jovens negros. Beyoncé conta com mais de 200 pessoas no palco e ela fez questão de montar a estrutura do show de uma forma que todos fossem vistos.

Além disso, Beyoncé afirma que: porque persisto tanto em passar para eles aquela negritude, aquele empoderamento negro, em pressioná-los a se identificar com a cultura negra. Não tenho escolha. Para mim, somos as criaturas mais lindas do mundo todo.

Eu como uma mulher branca, não passo e não sinto o que pessoas e, principalmente o que mulheres negras passam. O que posso fazer é dar espaço e voz para que a luta dessas pessoas seja conhecida e valorizada. Por isso escolhi falar do Homecoming, porque foi uma ação importante da Beyoncé para o reconhecimento da cultura e da luta das pessoas negras.

Beyoncé também declara: O meu trabalho é, de alguma forma, deixá-los curiosos o bastante ou persuadi-los, de um jeito ou de outro a se conscientizarem mais sobre si mesmos, de onde vieram, do que eles gostam e do que já temos, e fazer isso florescer.  É isso que me encoraja a encorajá-los. E farei isso a todo custo.

Dessa forma, além de mostrar para o mundo a cultura das pessoas negras no palco do Coachella, Beyoncé também encoraja os jovens negros que estão fazendo parte do festival a se conscientizarem de quem são e a terem orgulho disso, mostrando para eles que não importa o que digam ou façam, eles são pessoas importantes para o mundo.

A apresentação do Coachella foi feita para ser uma festa de ex-alunos, então Beyoncé fala que era para ser uma experiência em que todos que fizeram parte crescessem, se encorajassem e olhassem para dentro deles para se tornarem pessoas melhores, era para se divertir e aprender ao mesmo tempo. A Queen B também afirma que estudou a sua história, o seu passado, e colocou todos os seus erros e todos os seus triunfos, a sua carreira de 22 anos nessa festa de 2 horas de ex-alunos.

Além de criar todo esse movimento para empoderar as pessoas negras, Beyoncé também teve uma luta pessoal para o Coachella. Ela tinha acabado de dar à luz a gêmeos, foi uma gravidez de alto risco e o seu corpo sofreu mais do que ela pensou que aguentaria. Foi um momento difícil para ela recuperar a força e resistência, por vezes, Beyoncé pensou que nunca mais seria a mesma.

Sobre isso, Queen B afirma: Me esforcei mais do que pensava ser capaz e aprendi uma lição valiosa. Eu nunca, nunca mais chegarei a esse extremo. Me sinto uma nova mulher, em um novo capítulo da minha vida, e nem estou tentando ser quem eu era. É tão lindo que crianças façam isso com uma pessoa.

O processo de construção do show do Coachella e o próprio show em si foi um momento de empoderar os negros, principalmente as mulheres negras. Como a própria Queen B declara:

Como negra, eu sentia que o mundo queria que eu ficasse no meu cantinho. E mulheres negras muitas vezes se sentem subestimadas. Eu queria que sentíssemos orgulho não só do show, mas do processo. Orgulho da luta. […] E eu queria que todas sentissem gratidão por suas curvas, por sua atitude, por sua honestidade. Gratidão por sua liberdade. Não havia regras e pudemos criar um espaço livre e seguro onde nenhuma de nós era marginalizada.

O Coachella foi a construção de um lugar seguro para as mulheres negras. O objetivo da Beyoncé era fazer com que cada uma das mulheres que estavam no palco, fosse o reflexo que outra mulher ou menina poderia ver de si mesma.

O show da Beyoncé no Coachella foi a criação de algo que vai durar para sempre e fará as pessoas, de outras épocas e gerações, se sentirem aceitas e, como a própria declara: como se estivessem vendo uma magia ser feita, como se estivessem vivendo em uma época muito especial, como se fosse um dia que nunca vão vivenciar novamente. […] Foi um sonho que virou realidade e sinto que é algo em que passei a vida trabalhando.

Por fim, a primeira mulher negra a ser atração principal no Coachella, a maior ganhadora de Grammys, Queen B é verdadeiramente uma rainha, uma artista completa que utiliza o seu trabalho para empoderar e dar espaço a pessoas marginalizadas. O Homecoming é um documentário histórico.


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