E o Oscar vai para…
Publicado em 23/04/2021 às 21:12 por Luísa Vasconcelos

As mulheres! 

Não é de hoje que grandes premiações são questionadas constantemente sobre representatividade feminina, racial e LGBTQI+ – e o Oscar não fica de fora. Nenhum outro prêmio tem tanto impacto e prestígio quanto o Oscar, por isso a importância de cobrar maior representatividade nos indicados. 

Uma das maiores premiações do cinema nos últimos anos tem sido constantemente alvo de críticas e cobranças por uma maior diversidade nas indicações de profissionais e das obras. 

Em 2015, a indignação com a falta de indicados negros deu origem à campanha #OscarsSoWhite (“Oscar é branco demais”, em tradução livre), agora atualizada para #OscarsSoWhitePart2 (“Oscar é branco demais parte 2”) e #OscarsSoWhiteAndWithMoreMen (“Oscar é branco demais e tem mais homens”).

De acordo com uma pesquisa da Universidade do Sul da Califórnia liderada por Stacy L. Smith, uma pesquisadora renomada sobre diversidade e igualdade de gênero no entretenimento, 10,6% das produções que mais arrecadaram em 2019 foram dirigidas por mulheres. Infelizmente, o número ainda é baixo, mas é um grande avanço se considerarmos que em 2018 essa porcentagem era de 4,5%. 

E não é apenas nas bilheterias que elas fazem sucesso. Ao observar os rankings de sites de crítica cinematográfica, os filmes dirigidos por mulheres foram melhor avaliados que os por homens. Por exemplo, no Rotten Tomatoes, os indicados Era Uma Vez Em Hollywood, Coringa e 1917 receberam, respectivamente, as notas 7,8; 7,2 e 8,4. Já Adoráveis Mulheres, A Despedida e Um Lindo Dia na Vizinhança ficaram com 8,6; 8,5 e 8,1. 

“Categorizo 2019 como o ano em que as mulheres finalmente foram reconhecidas por sua direção na indústria de entretenimento, mas não foi permitido que fossem consagradas por essas conquistas”, disse Smith em entrevista à revista especializada em cinema Variety.

Em 8 de setembro de 2020, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou novos requisitos para a indicação de filmes ao Oscar. O objetivo da ação é ter maior representatividade dentro e fora das telas e por isso definiram 4 pilares principais e seus respectivos critérios, com pelo menos dois tendo que ser respeitados pelos estúdios.

As novas regras valerão para a premiação de 2022, mas só se tornarão obrigatórias a partir de 2024. O novo regulamento vale apenas para indicados a melhor filme. Mas nada impede que a academia já busque em suas indicações se atentar à diversidade. 

Este ano, a premiação ocorrerá dia 25 de abril, próximo domingo, em um formato totalmente novo devido a pandemia da Covid-19 devido às exigências de distanciamento social. Entre os indicados deste ano percebemos uma maior diversidade dentro das categorias.

Devido a esse motivo, os serviços de streaming foram impulsionados e com isso aumentou o número de produções menores e independentes, tornando a lista de indicados deste ano a mais diversa da história. A Netflix recebeu 35 indicações, 11 a mais que em 2020, seguida da Amazon Studios com 12. 

Na categoria de melhores filmes, entre os 8 indicados, 3 possuem protagonistas não brancos (Judas e o Messias Negro, Minari e O Som do Silêncio) e 2 são protagonizados por mulheres (Nomadland e Bela Vingança). Além disso, boa parte dos filmes aborda a experiência de minorias étnicas e de gênero nos Estados Unidos.  

E as mulheres na premiação? Elas receberam 76 indicações em diversas categorias!

Pela primeira vez temos duas mulheres indicadas no mesmo ano na categoria de melhor direção (YEAH!!), Chloé Zhao (Nomadland) e Emerald Fennell (Bela Vingança).

Chloé Zhao também é a primeira mulher não branca a ser indicada na categoria em 93 anos de premiação, e a primeira mulher a receber 4 indicações no mesmo ano, por direção, montagem, roteiro adaptado e melhor filme. Já Emerald Fennell é a primeira mulher estreante a entrar na lista de direção

Em contrapartida, apesar do avanço, a lista de indicados ao Globo de Ouro foi mais diversa que a do Oscar, com a indicação também da Regina King, por Uma Noite em Miami

Chegando em sua 93ª cerimônia em 2021, apenas 5 mulheres foram indicadas a melhor direção. Sendo que apenas uma, Kathryn Bigelow, por Guerra ao Terror (2010), levou a estatueta no seu ano. As demais indicadas foram Lina Wertmüller, por Pasqualino Sete Belezas (1977); Jane Campion, por O Piano (1994); Sofia Coppola, por Encontros e Desencontros (2003); Kathryn Bigelow, por Guerra ao Terror (2010) e Greta Gerwig, por Lady Bird (2018). 

Kathryn Bigelow com a estatueta de melhor direção por Guerra ao Terror.

Em melhor atriz, temos a maravilhosa Viola Davis, por A Voz Suprema do Blues, que alcançou o recorde de atriz negra mais indicada ao Oscar, com quatro indicações no total. Entre as coadjuvantes, Youn Yuh-Jung (Minari), se tornou a primeira sul-coreana a ser indicada

Tais indicações são marcos muito interessantes e impulsionam que nós passemos a consumir mais trabalhos criados e protagonizados por mulheres, de forma que reconheçamos mais mulheres nesses ambientes de trabalho. Claramente, o Oscar, como outras premiações, ainda está longe de ter uma representatividade ideal em suas categorias. Se você parar para pensar que dos 8 filmes indicados, apenas 2 são dirigidos por mulheres e pela primeira vez temos 2 mulheres indicadas em melhor direção… ainda temos uma longa jornada!

Referências: 

https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2020/02/por-que-o-oscar-ainda-tem-tanta-dificuldade-em-ser-inclusivo.html

https://www.omelete.com.br/oscar/oscar-2021-indicados#categoria-1https://elle.com.br/cultura/mulheres-indicadas-oscar-direcao/lina-wertmuller-indicada-por-pasqualino-sete-belezas-em-1977

https://www.omelete.com.br/oscar/oscar-2021-indicados#categoria-1


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